Arrecadação com Lei de Repatriação pode superar R$ 25 bilhões, diz secretário
O secretário adjunto da Receita Federal, Paulo Ricardo de Souza Cardoso,
disse ontem (3), em São Paulo, que o governo espera arrecadar mais de
R$ 25 bilhões com a lei de repatriação de recursos não declarados
enviados ao exterior.
"Nossa expectativa é que a quantidade de adesões vai superar as
previsões divulgadas pela mídia. Como nós sabemos, o comportamento do
contribuinte, com relação à entrega de declarações [de Imposto de
Renda], normalmente é deixado para a última semana”, disse o secretário
em entrevista a jornalistas antes de fazer uma palestra e esclarecer
dúvidas sobre a lei na sede da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp).
O prazo para adesão ao programa, chamado Regime Especial de
Regularização Cambial e Tributária (Rerct), será encerrado no dia 31 de
outubro. Por meio da lei, recursos, bens ou direitos que foram remetidos
ao exterior, sem terem sido declarados, poderão ser regularizados.
Mudanças na lei
O secretário comentou também sobre a possibilidade de que a lei seja
alterada pelo Câmara dos Deputados. Para ele, as mudanças podem colocar
em risco o programa. “Acreditamos que as mudanças, a depender do que
for votado, podem atrapalhar o nível de adesão, mas acreditamos que,
mesmo com essas discussões na Câmara, os contribuintes conscientes vão
aderir porque a lei é muito benéfica para aqueles que fizeram ou
cometeram alguma irregularidade no passado e que podem ter anistia plena
agora", disse.
O procurador da República em São Paulo Rodrigo de Grandis diz que
qualquer mudança na lei pode ser prejudicial. “Acho um absurdo qualquer
modificação legislativa em relação à Lei do Rerct. Isso é modificar as
regras do jogo no meio da partida”, disse.
Segundo o procurador, a lei tem problemas, mas as dúvidas que foram
surgindo com ela foram sendo sanadas pela Receita. “Quando vem uma lei
para modificar completamente, em pontos cruciais, a lei de adesão ao
programa, isso causa uma dificuldade enorme e causa ainda mais
insegurança jurídica. Esse projeto de lei para modificação [na Câmara] é
uma excrescência absoluta”, disse.
Dúvidas e fiscalização
A empresários, o secretário adjunto da Receita disse que, desde que o
programa entrou em vigor, em abril, a Receita procurou esclarecer todas
as dúvidas e que as mudanças previstas pela Câmara poderiam gerar
inseguranças jurídicas. Ele disse também que não há expectativa alguma
sobre prorrogação no prazo de adesão.
Cardoso disse que uma grande operação de fiscalização de
contribuintes terá início ao final do programa de adesão e que isso vai
atingir a todos aqueles “que não utilizaram o benefício da lei”. “Não é
tom de ameaça, é só um lembrete”, disse o secretário, declaração que
arrancou risos entre os empresários.
Ao final de sua palestra, o secretário disse para jornalistas que a
fiscalização vai ocorrer por meio de um cruzamento de informações,
“identificando pessoas que não declararam e que temos informações de que
tem patrimônio no exterior”. “Vamos chamar essas pessoas para começar
um processo de identificação e de fiscalização”, disse. As punições,
segundo ele, podem ser determinadas pelo pagamento de tributos, com
juros e multas.
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Edição: Fábio Massalli
Fonte: Agência Brasil