Senado aprova MP do Contribuinte Legal e acaba com voto de qualidade no Carf
O
Senado aprovou nesta terça (24/03), em sessão remota, a chamada MP do
contribuinte legal (899/19). A medida, que segue
para sanção presidencial, estabelece regras para a renegociação de dívidas
tributárias de contribuintes em débito junto à União.
O plenário também manteve a
emenda aglutinativa que prevê a extinção do voto de qualidade no Carf e
rejeitou o artigo 28 do texto, que possibilitaria que auditores fiscais da
Receita Federal tivessem bônus de eficiência de até R$ 21 mil na remuneração.
O
voto de qualidade no Carf funciona como um desempate nos processos
administrativos e é proferido pelo presidente da turma, sempre um representante
da Receita Federal. A emenda aglutinativa aprovada prevê que em caso de empate
na votação, o resultado final será a favor dos contribuintes. Foram 50
parlamentares a favor da extinção do voto de qualidade e 28 contra.
Sobre a possibilidade de bônus de
até R$ 21 mil para auditores fiscais, a decisão da exclusão do trecho da MP foi
quase unânime. Somente o Senador Major Olímpio (PSL-SP) votou a favor da
possibilidade de bônus. Na visão da maioria dos parlamentares, o Brasil não
está no momento ideal de aprovar o aumento na remuneração de servidores.
A MP possibilita descontos de até
50% sobre o total da dívida e o pagamento em até 84 meses, que pode aumentar
para 100 meses para micro ou pequena empresa.
Discussão
Segundo o Senador Alessandro
Vieira (Cidadania- SE), o voto de qualidade é um “dispositivo estranho” ao
conteúdo original da MP. Para ele, a extinção da sistemática deixa a
União em desvantagem no tribunal administrativo, já que a Fazenda Nacional não
pode recorrer à Justiça em caso de derrota no Carf. “A Fazenda deixa de ter
sequer a possibilidade de recorrer”, afirmou.
Para os senadores Sérgio Petecão
(PSD-AC) e Izalci Lucas (PSDB-MG), o atual momento do país não permite a
votação do artigo. Entretanto, para Lucas, o assunto deve ser tratado
separadamente “com muita dedicação” em um momento posterior.
Para o senador Rogério Carvalho
(PT-SE), a extinção do voto de qualidade significa “penalizar o setor público”.
Por outro lado, os senadores a favor da extinção do voto de qualidade afirmaram
que os contribuinte têm dificuldades para afastar autuações no Carf.
De acordo com a senadora
Kátia Abreu (PDT-TO), a extinção do voto de qualidade não gera um desequilíbrio
no Carf. “Apenas em 7% dos processos houve a necessidade do voto de minerva”,
afirmou. Para a parlamentar, a aprovação da emenda termina com a “ditadura do
Fisco”. “No Carf também temos milhares de pequenos e médios empresários, não
somente grandes empresas”, disse.
Segundo Vanderlan Cardoso
(PSD-GO), o contribuinte sempre leva desvantagem no Carf e “em muitas fazendas
estaduais”. “O país não aguenta mais. Por isso há tantos escândalos no Carf.
São esses valores astronômicos de autuações. Isso desestimula qualquer
investidor. Só a Fazenda leva o melhor”, afirmou.
O senador Tasso Jereissati
(PSDB-CE) disse que a extinção do voto de qualidade pode diminuir grandes
contingências de processos tributários no Judiciário. Para senador Major
Olímpio vale o argumento jurídico “in dubio pro reo”, ou seja, na dúvida a
decisão será a favor da réu.
ALEXANDRE LEORATTI –
Repórter em Brasília
Fonte: CARF